Praça São Pedro

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Programa Viva em Verdade

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

É Preciso Parar

É preciso parar

Autor: Luiz Fernandes L. Filho
Colaborador do Viva em Verdade
Original: 31/10/2010
Consagrado da Comun. Paz e Mel

No fim das meias estações, é possível observar um fenômeno que já intrigou muitos antigos cientistas, o chamado fenômeno de migração das aves. Existem aves migratórias como os “fuselos” (Limosa lapponica), que são capazes de voar, sem parar, cerca de um quarto da circunferência da terra, equivalente a 10.800 km, em um vôo de oito dias sem descanso. Sua capacidade de poupar o gasto de energia e de usar gotículas de água do ar para se hidratar são uns dos atributos que lhe possibilitam esta condição (Reis, 2007). Porém, apesar de toda essa capacidade, o fuselo precisa parar e ficar praticamente dois dias sem levantar vôo, imóvel, para se refazer do desgaste (Reis, 2007).
Irmãos, é assim que deve ser conosco, precisamos parar, seja na parada diária de alguns minutos, seja em paradas mais longas, como nas férias. No livro de Gêneses 2:2, lemos que “havendo Deus acabado a obra que fizera, descansou no sétimo dia”. Ainda em Gen. 1:31, “Deus contemplou toda sua obra, e viu que tudo era bom...” Sim!! Deus parou! E ao “avaliar” (como se fosse preciso), viu a perfeição de toda a sua obra. Assim também Jesus, ao viajar pela da região da Samaria, no evangelho de João, cap. 4, sentiu a necessidade de parar. A narração conta que “Jesus chegou a uma localidade da Samaria chamada Sicar...”, “ali havia o poço de Jacó. E Jesus, fatigado da viagem, sentou-se à beira do poço”. E desenrolou-se a bela passagem que conta o encontro de Jesus com a Samaritana, momento este que foi fruto de uma valorosa parada.
Pensar no que nos aconteceu durante as últimas 24 horas e pesar, avaliar e comparar isto com os acontecimentos do dia anterior nos é tão raro porque realmente não achamos que seja o mais importante (necessário). Enganosamente somos levados a crer que momentos sem palavras, sem ruídos, em que estamos com as mãos paradas e não nos movimentamos são momentos perdidos, improdutivos, e até mesmo de pecado (preguiça). Porém, tal pensamento nada mais é que uma demoníaca tentação, ou uma compreensão diminuída de si, que não considera a limitação fisiológica (neste caso, o limite mental); é uma idéia equivocada no que diz respeito ao fazer e realizar.
Acostumamo-nos a não parar... Crescemos assim! Deixamo-nos levar ora por causa do ritmo ditado pelo estilo de vida ocidental de nossos tempos, ora porque não queremos dar brecha a uma auto-reflexão que destruiria os nossos muros de proteção (mecanismos de defesa). Por isso, é tão é tão dolorido ao nosso corpo e dificultoso ao nosso cérebro pararmos para realizar uma adoração silenciosa ao santíssimo Sacramento. E quando o fazemos, fazemos de maneira sinuosa, com a atenção prejudicada, nos rendemos à menor excitação dos nossos sentidos, ao menor desconforto físico, às preocupações que não são urgentes (e mesmo que fossem, não seriam dignas de nota), diante do úicio que é Digno de toda nossa atenção.
Irmãos, a vida de oração também passa necessariamente por este retiro diário. Sem o silêncio, sem a prática de olhar para si, não podemos dizer que somos homens e mulheres de oração que buscam a santidade. São José Maria Escrivá nos dirá: “Se não és homem de oração, não acredito na retidão de tuas intenções quando dizes que trabalhas por Cristo.” (Caminho, n° 109). O mesmo santo ainda: “Santo sem oração, não acredito nessa santidade.” (Caminho, n° 107). A oração está intimamente relacionada com a parada, é um momento de intimidade com Deus, e, portanto, não deve ser vivida como os demais momentos do dia. Relacione-a com o momento de intimidade de um casal, momento especial, singular, querido por Deus, que, portanto, para o bem do casal, não pode ser vivido sem o cuidado e o respeito que lhe são peculiares. Sabe-se o quanto pode ser ruim para um casal viver estes momentos de intimidade de qualquer maneira, sem o devido zelo. Poderiam ficar bastante prejudicados o interesse pela relação (vontade) e o valor da vida íntima do casal. Esses prejuízos, somados a tantos outros males, poderiam ser ruína para os cônjuges.
É por esta razão que não podemos tratar o nosso encontro diário com Deus de qualquer modo. Fatalmente estaríamos nutrindo por nós mesmos uma relação superficial, desinteressada, longe de realmente nos importarmos com as necessidades primeiras do nosso ser. Se for assim, angústia, desesperança, depressão e a infelicidade são questão de tempo. "Conhecer a si mesmo é uma necessidade e um dever ao qual ninguém pode subtrair-se. O homem tem necessidade de saber quem é. Não pode viver se não descobre que sentido tem sua vida. Arrisca-se a ser infeliz, se não reconhecer sua dignidade." (Amarás o Senhor teu Deus - Amadeo Cencini - pág. 8 - Edições Paulinas).  A palavra nos lembra: “Quando fores orar, entra no teu quarto, fecha a porta e ora a teu Pai em segredo; e teu Pai, que vê o escondido, te recompensará” (Mt 6, 6 ). O Pai, “que vê o escondido”, vê não somente aquele que está escondido, mas também aquilo. O que os nossos olhos não conseguem enxergar o Pai é quem nos mostra. Os nossos limites estão aí para quem quiser vê-los, esbarramos neles, podemos vez ou outra ir além, por Graça, mas não tão além. Mas o Pai que sonda-nos e conhece-nos, vai além por nós. Quando silenciamos e pedimos a unção do Espírito de Deus em nossas vidas, é como se Senhor passasse por nossa alma, e percebesse minúcias, que a nós são imperceptíveis. É como se usasse um super microscópio de ultima geração. Expondo-nos as microimperfeições de nossa alma, o Senhor nos revela irregularidades, fragilidades, funcionalidades que jamais veríamos sem Ele, sem o auxílio da sua Graça.
É “visceral” à nossa alma que descubramo-la tal como ela é. O ânimo de nossa vida veio de Deus, e não encontra razão se não for nEle. As confissões de Santo Agostinho nos Lembram: “... Fizeste-nos para Ti e inquieto está nosso coração, enquanto não repousa em Ti...” Porém, às vezes, não somente por nossa culpa, e sim porque vivemos em um mundo decaído pelo pecado, e, portanto, sofreremos até o fim as marcas violentas do desprendimento a Deus por nossos primeiros pais (Adão e Eva). Antes mesmo de nascermos, ainda no ventre materno, herdamos incomensuráveis traumas que nos acompanharão em nossas vidas. Somam-se ainda, as imperfeições da nossa criação pelos nossos pais, as experiências traumáticas da infância e adolescência, as más referências de nossa trajetória, mais um tijolinho aqui e outro ali... E está montado o nosso ser que vai um dia se encontrar com a poderosa Verdade que é Jesus Cristo, o único Santo, irrepreensível, perfeito em tudo, o Deus gerado homem por Deus, homem em tudo, porém sem mancha e sem mácula. Esse encontro realizado é como um fenômeno cataclísmico, como uma grande explosão cósmica que extingue uma galáxia e dela gera uma nova galáxia, com novas atmosferas, novos planetas, novas estrelas, nova em tudo. O Papa Bento XVI falando aos jovens em Malta, em abril deste ano, diz: "Cada encontro pessoal com Jesus é uma experiência avassaladora de amor". Se conseguires pensar em uma realidade qualquer antes de um encontro com Cristo, verás que ela é completamente nova após a experiência com o Senhor. Após esse encontro podemos nos reconhecer à luz desse novo mundo, da nova realidade que é Jesus Cristo.
É bem verdade que existem momentos que podemos classificar de “especiais” em nossas vidas. Momentos em que, diariamente, é necessário um aporte maior de nossas horas para darmos vencimento de realizar uma “importante tarefa”, se assim pudermos classificar. A tarefa dos pais em proporcionar um adequado cuidado aos filhos na primeira infância, por exemplo, pode gerar um importante stress físico, gerar menor qualidade e privação do sono, déficit nas qualidades das refeições e outras situações, que podemos imaginar (ou aqueles que têm filhos relatar). Certamente, estas dificuldades, encurtariam o período para se realizar outras tarefas imprescindíveis e elementares de nossas rotinas. Há outras situações extraordinárias no ciclo de nossas vidas que gerariam as mesmas intempéries. Em uma dada época, trabalhar uma carga horária maior de 60 horas semanais para aquisição de um imóvel, associada a outras contas; conciliar faculdade, principalmente o trabalho de conclusão, com o emprego e outros afazeres; estudar para passar em um concurso público ou vestibular; preparativos para o casamento e uma série de situações que podemos verificar em nossas convivências trazem consigo um aumento na demanda de nosso tempo. Também é importante lembrar que, nós católicos, atuantes da nova evangelização, membros de comunidade, temos um acréscimo significativo de compromissos e deveres a serem conciliados com todas estas tarefas. Viver estes momentos com maturidade, esperança e junto à comunidade são a grande chave para suportá-los. Muitos nestes momentos não raras vezes abandonam a fé. Não porque estavam menos formados, mas talvez porque não olharam adequadamente para a realidade de sua pequenez. “Aquele, pois, que pensa estar em pé, cuida para que não caia” (1Co 10:12). Vivemos em um mundo que incentiva o hedonismo e reivindica a autoridade absoluta do homem de conduzir e decidir a própria vida, de viver independente de Deus. Como nos lembra a música de Daniel Souza: “O maior pecado é viver independente de Deus”. Estes subestimaram a parada diária com o Senhor e, por conseguinte, consigo. Que dá-nos perceber exatamente o lugar onde estamos e estimar o quanto falta para o lugar onde devemos estar. É a salutar tensão que aprendemos na busca da identidade ontológica: “o ser ideal alcançável” versus “o ser ideal impossível”, ou “o já possível” versus “o ainda não” (Amarás o Senhor teu Deus - Amadeo Ciencini – Ed. Paulinas). Só podemos avançar no “front de batalha” de nossa vida se observar e conhecer o inimigo que há em nós. Mais do que ser preciso parar, hoje, é perigoso não parar.
Meditemos: Salmo 127:1-2: “Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam; se o Senhor não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela. Inútil vos será levantar de madrugada, repousar tarde, comer o pão do suor, pois assim dá Ele aos seus amados enquanto dormem.”


Luiz Fernandes L. Filho
Consagrado da Comunidade Paz e Mel - 2010-10-31

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Mitos Litúrgicos Parte 3

Autor: Francisco Dockhorn
Colaborador do Viva em Verdade
Revisão teológica: Dom Antonio Carlos Rossi Keller, Bispo da Diocese de Frederico Westphalen-RS
Mito 14. “A comunhão tem que ser em duas espécies”
Não tem.
Embora a Comunhão sob duas espécies tenha um significado simbólico expressivo (Redemptionis Sacramentum, n.100), a Santa Igreja tem a justa preocupação de evitar heresias e profanações, e por isso só permite a Comunhão sob duas espécies em casos particulares e sob rígidas determinações.
Por isso que o Sagrado Magistério, no Concílio de Trento (séc. XVI), definiu alguns princípios dogmáticos á respeito da Comunhão Eucarística sob as duas espécies; princípios estes que foram expressamente relembrados na Redemptionis Sacramentum (n. 100). Assim definiu o Concílio de Trento (n. 930-932): “Por nenhum preceito divino [os fiéis] estão obrigados a receber o sacramento da Eucaristia sob ambas as espécies, e que, salva a fé, de nenhum modo se pode duvidar que a comunhão debaixo de uma [só] das espécies lhes baste para a salvação. (…) Nosso Redentor, como ficou dito, instituiu na última ceia este sacramento e o deu aos Apóstolos sob as duas espécies, contudo devemos confessar que debaixo de cada uma delas se recebe Cristo todo inteiro e como verdadeiro sacramento.”
Partindo desses princípios, e da justa preocupação de evitar profanações, a Santa Igreja estabeleceu que somente em casos particulares seria ministrada a Sagrada Comunhão aos féis sob a aparência do vinho. Nesse sentido, afirma a Instrução Redemptionis Sacramentum (n. 101) que “para administrar aos fiéis leigos a sagrada Comunhão sob as duas espécies, devem-se ter em conhecimento, convenientemente, as circunstâncias, sobre as que devem julgar, em primeiro lugar, os Bispos diocesanos. Deve-se excluir totalmente quando exista perigo, inclusive pequeno, de profanação das sagradas espécies.”
A seguir, a mesma Instrução aponta as formas pela qual a Sagrada Comunhão sob duas espécies pode ser administrada (n. 103): “As normas do Missal Romano admitem o principio de que, nos casos em que se administra a sagrada Comunhão sob as duas espécies, o Sangue do Senhor pode ser bebido diretamente do cálice, ou por intinção, ou com uma palheta, ou uma colher pequenina.”
Em públicos maiores, tenho presenciado que normalmente a Comunhão Eucarística se por dá intinção, isto é, tomando-se o Corpo de Nosso Senhor na aparência do pão e intingindo-se na aparência do vinho. A mesma Instrução ordena que, para se ministrar a Sagrada Comunhão desta forma, “usam-se hóstias que não sejam nem demasiadamente delgadas nem demasiadamente pequenas e o comungante receba do sacerdote o sacramento, somente na boca.” (n.103) E ainda: “Não se permita ao comungante molhar por si mesmo a hóstia no cálice, nem receber na mão a hóstia molhada. No que se refere à hóstia que se deve molhar, esta deve ser de matéria válida e estar consagrada; estando absolutamente proibido o uso de pão não consagrado ou de outra matéria.” (n. 104) Infelizmente, tem se tornado “moda” uma espécie da Comunhão “self-service”, onde, com o Corpo de Nosso Senhor na aparência do pão na mão, o próprio fiel comungante faz a intinção na aparência do vinho. Pelas normas litúrgicas, em toda a preocupação que a Santa Igreja tem pelo manuseio do Corpo de Deus, esta prática é absolutamente ilícita, como fica claro no parágrafo acima. Mais ainda: esta irregularidade é apontada na mesma Instrução dentro da listagens dos “atos sempre objetivamente graves” por atentar contra a dignidade do Santíssimo Sacramento (n. 173).

Mito 15. “O Ministério extraordinário da Sagrada Comunhão existe para promover a participação dos leigos.”
Não existe para isso, pois ordinariamente a função do leigo não é distribuir o Corpo de Deus.
Isso afirma expressamente a Instrução Redemptionis Sacramentum (n. 151): “Somente em caso de verdadeira necessidade se deverá recorrer à ajuda dos ministros extroardinários na celebração da liturgia. De fato, isto não está previsto para assegurar a participação mais plena dos leigos, mas é por sua natureza supletivo e provisório.”
O ministro ordinário da Comunhão Eucarística, pela unção do Sacramento da Ordem, é o sacerdote e o diácono (Cânon 910). Por isso, ordinariamente somente eles podem ministrar a Corpo de Nosso Senhor.
Havendo real necessidade, o ministro extraordinário pode distribuir a Comunhão Eucarística. Os ministros extraordinários são prioritariamente os acólitos instituídos (cânon 910). Não havendo acólitos instituídos disponíveis para isso, outros fiéis (religiosos ou leigos) podem atuar ministrando a Comunhão Eucarística, como aponta a Instrução Redemptionis Sacramentum (n. 155) Tais situações são, de fato, extraordinárias, como o próprio nome do ministério já o indica.
Portanto, é um equívoco afirmar que o Ministério Extraordinário da Comunhão Eucarística existe para promover o serviço do leigo, pois esta função não é, ordinariamente, uma atribuição do leigo, e em uma situação em que houvesse um número maior de ministros ordinários o ministério extraordinário não haveria razões para existir.
Quais seriam estas razões que indicariam esta “verdadeira necessidade” para o uso dos ministros extraordinários da Comunhão Eucarística? A própria Instrução responde: “O ministro extraordinário da sagrada Comunhão poderá administrar a Comunhão somente na ausência do sacerdote ou diácono, quando o sacerdote está impedido por enfermidade, idade avançada, ou por outra verdadeira causa, ou quando é tão grande o número dos fiéis que se reúnem à Comunhão, que a celebração da Missa se prolongaria demasiado. Por isso, deve-se entender que uma breve prolongação seria uma causa absolutamente suportável, de acordo com a cultura e os costumes próprios do lugar.” (n. 158) E ainda: “Reprove-se o costume daqueles sacerdotes que, apesar de estarem presentes na celebração, abstém-se de distribuir a Comunhão, delegando esta tarefa a leigos.” (n. 157)

Mito 16. “O cálice e o cibório podem ser de qualquer material”
Não podem.
A Santa Igreja zela pelo material do cálice, cibórios e outros vasos sagrados utilizados nas celebrações. Por exemplo: é expressamente proibido o uso de vasos sagrados de vidro, barro, argila, cristal ou outro material que quebre com facilidade.
Especifica a Instrução Redemptionis Sacramentum (n. 117): “Os vasos sagrados, que estão destinados a receber o Corpo e o Sangue do Senhor, devem-se ser fabricados, estritamente, conforme as normas da tradição e dos livros litúrgicos. As Conferências de Bispos tenham capacidade de decidir, com a aprovação da Sé apostólica, se é oportuno que os vasos sagrados também sejam elaborados com outros materiais sólidos. Sem dúvida, requer-se estritamente que este material, de acordo com a comum valorização de cada região, seja verdadeiramente nobre, de maneira que, com seu uso, tribute-se honra ao Senhor e se evite absolutamente o perigo de enfraquecer, aos olhos dos fiéis, a doutrina da presença real de Cristo nas espécies eucarísticas. Portanto, reprove-se qualquer uso, para a celebração da Missa, de vasos comuns ou de escasso valor, no que se refere à qualidade, ou carentes de todo valor artístico, ou simples recipientes, ou outros vasos de cristal, argila, porcelana e outros materiais que se quebram facilmente. Isto vale também para os metais e outros materiais, que se corroem (oxidam) facilmente.”
O saudoso Papa João Paulo II insiste na utilização dos melhores recursos possíveis nos objetos litúrgicos, como honra prestada ao Corpo e ao Sacrifício de Nosso Senhor. Disse João Paulo II (Ecclesia de Eucharistia, n. 47-48):
“Quando alguém lê o relato da instituição da Eucaristia nos Evangelhos Sinóticos, fica admirado ao ver a simplicidade e simultaneamente a dignidade com que Jesus, na noite da Última Ceia, institui este grande sacramento. Há um episódio que, de certo modo, lhe serve de prelúdio: é a unção de Betânia. Uma mulher, que João identifica como sendo Maria, irmã de Lázaro, derrama sobre a cabeça de Jesus um vaso de perfume precioso, suscitando nos discípulos - particularmente em Judas (Mt 26, 8; Mc 14, 4; Jo 12, 4) - uma reação de protesto contra tal gesto que, em face das necessidades dos pobres, constituía um « desperdício » intolerável. Mas Jesus faz uma avaliação muito diferente: sem nada tirar ao dever da caridade para com os necessitados, aos quais sempre se hão de dedicar os discípulos - « Pobres, sempre os tereis convosco » (Jo 12, 8; cf. Mt 26, 11; Mc 14, 7) -, Ele pensa no momento já próximo da sua morte e sepultura, considerando a unção que Lhe foi feita como uma antecipação daquelas honras de que continuará a ser digno o seu corpo mesmo depois da morte, porque indissoluvelmente ligado ao mistério da sua pessoa. (…) Tal como a mulher da unção de Betânia, a Igreja não temeu « desperdiçar », investindo o melhor dos seus recursos para exprimir o seu enlevo e adoração diante do dom incomensurável da Eucaristia. À semelhança dos primeiros discípulos encarregados de preparar a « grande sala », ela sentiu-se impelida, ao longo dos séculos e no alternar-se das culturas, a celebrar a Eucaristia num ambiente digno de tão grande mistério. Foi sob o impulso das palavras e gestos de Jesus, desenvolvendo a herança ritual do judaísmo, que nasceu a liturgia cristã. Porventura haverá algo que seja capaz de exprimir de forma devida o acolhimento do dom que o Esposo divino continuamente faz de Si mesmo à Igreja-Esposa, colocando ao alcance das sucessivas gerações de crentes o sacrifício que ofereceu uma vez por todas na cruz e tornando-Se alimento para todos os fiéis? Se a ideia do « banquete » inspira familiaridade, a Igreja nunca cedeu à tentação de banalizar esta « intimidade » com o seu Esposo, recordando-se que Ele é também o seu Senhor e que, embora « banquete », permanece sempre um banquete sacrificial, assinalado com o sangue derramado no Gólgota. O Banquete eucarístico é verdadeiramente banquete « sagrado », onde, na simplicidade dos sinais, se esconde o abismo da santidade de Deus: O Sacrum convivium, in quo Christus sumitur! - « Ó Sagrado Banquete, em que se recebe Cristo! »”

Mito 17: “Os fiéis podem rezar junto a doxologia e a oração da paz”
Não podem.
Diz o Código de Direito Canônico (Cânon 907) que “Na celebração Eucarística, não é lícito aos diáconos e leigos proferir as orações, especialmente a oração eucarística, ou executar as ações próprios do sacerdote celebrante.”
Também a Instrução Inaestimabile Donum (n.4) afirma: “Está reservado ao sacerdote, em virtude de sua ordenação, proclamar a Oração Eucarística, a qual por sua própria natureza é o ponto alto de toda a celebração. É portanto um abuso que algumas partes da Oração Eucarística sejam ditas pelo diácono, por um ministro subordinado ou pelos fiéis. Por outro lado isso não significa que a assembléia permanece passiva e inerte. Ela se une ao sacerdote através do silêncio e demonstra a sua participação nos vários momentos de intervenção providenciados para o curso da Oração Eucarística: as respostas no diálogo Prefácio, o Sanctus, a aclamação depois da Consagração, e o Amén final depois do Per Ipsum. O Per Ipsum ( por Cristo, com Cristo, em Cristo) por si mesmo é reservado somente ao sacerdote. Este Amén final deveria ser enfatizado sendo feito cantado, sendo que ele é o mais importante de toda a Missa.”
Tais orações são orações do sacerdote. De forma especial, a doxologia (”Por Cristo, com Cristo e em Cristo…”), que é momento onde o sacerdote oferece à Deus Pai o Santo Sacrifício de Nosso Senhor.

Mito 18: “O sacerdote usar casula é algo ultrapassado”
Não é.
A casula é o paramento sacerdotal próprio para o Santo Sacrifício da Missa. É o mais solene, varia de cor conforme a prescrição para a celebração em específico e vai sobre a alva e estola. Infelizmente, tem se tornado moda em muitos lugares que muitos sacerdotes celebrem usando apenas a alva e a estola, enquanto as casulas mofam nos armários.
A Instrução Geral do Missal Romano (n. 119) determina que o sacerdote utilize: amito, alva, estola, cíngulo e casula (amito e cíngulo podem ser dispensáveis, conforme o formato da alva).
A Instrução Redemptinis Sacramentum determina ainda que, sendo possível, inclusive os sacerdotes concelebrantes utilizem a casula (n. 124-126):
“No Missal Romano é facultativo que os sacerdotes que concelebram na Missa, exceto o celebrante principal (que sempre deve levar a casula da cor prescrita), possam omitir «a casula ou planeta, mas sempre usar a estola sobre a alva», quando haja uma justa causa, por exemplo o grande número de concelebrantes e a falta de ornamentos. Sem dúvida, no caso de que esta necessidade se possa prever, na medida do possível, providencie-se as referidas vestes. Os concelebrantes, a exceção do celebrante principal, podem também levar a casula de cor branca, em caso de necessidade. (…) Seja reprovado o abuso de que os sagrados ministros realizem a santa Missa, inclusive com a participação de só um assistente, sem usar as vestes sagradas ou só com a estola sobre a roupa monástica, ou o hábito comum dos religiosos, ou a roupa comum, contra o prescrito nos livros litúrgicos. Os Ordinários cuidem de que este tipo de abusos sejam corrigidos rapidamente e haja, em todas as igrejas e oratórios de sua jurisdição, um número adequado de vestes litúrgicos, confeccionadas de acordo com as normas.”
Embora haja para o Brasil a concessão de o sacerdote celebrar apenas utilizando alva e estola quando houver razões pastorais (ver comentário do Pe. Jesús Hortal, SJ, à respeito do cânon 929, no Código de Direito Canônico editado pela Loyola), de forma alguma pode-se dizer que o uso da casula é ultrapassado, como foi demonstrado acima.

Mito 19: “O Concílio Vaticano II aboliu o latim”
Não aboliu.
Pelo contrário: o Concílio Vaticano II incentivou o uso do latim como língua litúrgica.
Diz o Concílio (Sacrossanctum Concilium, n.36) : “Salvo o direito particular, seja conservado o uso da língua latina nos ritos latinos.” Embora exista atualmente em muitos lugares a concessão para se celebrar em língua local, o latim segue sendo a língua oficial da Santa Igreja e mantém o seu significado de unidade e solenidade: “O uso da língua latina vigente em grande parte da Igreja é um caro sinal da unidade e um eficaz remédio contra toda corruptela da pura doutrina.” (Papa Pio XII, na Encíclica Mediator Dei, n.53, de 1947)
Por isso o Santo Padre Bento escreveu (Sacramentum Caritatis, n.62): “A nível geral, peço que os futuros sacerdotes sejam preparados, desde o tempo do seminário, para compreender e celebrar a Santa Missa em latim, bem como para usar textos latinos e entoar o canto gregoriano; nem se transcure a possibilidade de formar os próprios fiéis para saberem, em latim, as orações mais comuns e cantarem, em gregoriano, determinadas partes da liturgia.”
E a Instrução Redemptionis Sacramentum (n. 112) determina: “Excetuadas as Celebrações da Missa que, de acordo com as horas e os momentos, a autoridade eclesiástica estabelece que se façam na língua do povo, sempre e em qualquer lugar é lícito aos sacerdotes celebrar o santo Sacrifício em latim.”
O Cardeal Ratzinger, hoje Papa Bento XVI (no livro “O sal da Terra”, de 1996), reconhece que a “nossa cultura mudou tão radicalmente nos últimos trinta anos que uma liturgia celebrada exclusivamente em latim envolveria um elemento de estranheza que, para muitos, não seria aceitável.” Por outro lado, “o Cardeal (Francis Arinze, Prefeito da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramento) também sugeriu que as paróquias maiores tenham uma Missa em latim pelo menos uma vez por semana e que as paróquias rurais e menores a tivessem pelo menos uma vez ao mês.” (ACI Imprensa, 16 de Novembro de 2006)

Mito 20: “Para participar bem da Missa é preciso entender a língua que o padre celebra”
Não é.
Embora possa ser útil compreender a língua que o padre celebra (e por isso são amplamente divulgados os missais com tradução em latim / português, nos meios em que a Santa Missa é celebrada em latim), o principal é contemplar o Mistério do Santo Sacrifício que se renova no altar, e para isso não é necessário compreender todas as palavras.
Missa não é jogral.
O Cardeal Ratzinger, hoje Papa Bento XVI, afirma (”O sal da terra”): “A Liturgia é algo diferente da manipulação de textos e ritos, porque vive, precisamente, do que não é manipulável. A juventude sente isso intensamente. Os centros onde a Liturgia é celebrada sem fantasias e com reverência atraem, mesmo que não se compreendam todas as palavras.”

Mito 21: “O canto gregoriano é algo ultrapassado”
Não é.
O Concílio Vaticano II afirma (Sacrossanctum Concilium, n.116) : “”A Igreja reconhece como canto próprio da liturgia romana, o canto gregoriano; portanto, na ação litúrgica, ocupa o primeiro lugar entre seus similares. Os outros gêneros de música sacra, especialmente a polifonia, não são absolutamente excluídos da celebração dos ofícios divinos, desde que se harmonizem com o espírito da ação litúrgica…”
A Instrução Geral do Missal Romano (n. 41) afirma: “Em igualdade de circunstâncias, dê-se a primazia ao canto gregoriano, como canto próprio da Liturgia romana.”
Também o Santo Padre Bento XVI incentiva o canto gregoriano na Exortação Apostólica Sacramentum Caritatis (n.62), como foi dito acima.É importante lembrar: mesmo em relação a canto popular, a referência é canto gregoriano. O saudoso Papa João Paulo II (Quirógrafo sobre a Música Sacra, n. 12) diz:
“No que diz respeito às composições musicais litúrgicas, faço minha a «regra geral» que são Pio X formulava com estes termos: ‘Uma composição para a Igreja é tanto mais sacra e litúrgica quanto mais se aproximar, no andamento, na inspiração e no sabor, da melodia gregoriana, e tanto menos é digna do templo, quanto mais se reconhece disforme daquele modelo supremo». Não se trata, evidentemente, de copiar o canto gregoriano, mas muito mais de considerar que as novas composições sejam absorvidas pelo mesmo espírito que suscitou e, pouco a pouco, modelou aquele canto.”

Mito 22: “Atualmente o padre tem que rezar de frente para os fiéis”
Não tem.
Foi publicada em 1993, no seu boletim Notitiae, uma nota da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos reafirma a licitude tanto da celebração “Versus Populum” (com o sacerdote voltado para o povo) quanto da “Versus Deum” (com o sacerdote e povo voltados para Deus, isto é, na mesma direção)
Assim, mesmo na forma do Rito Romano aprovada pelo Papa Paulo VI, é perfeitamente possível que se celebre a Santa Missa com o sacerdote e os fiéis voltados na mesma direção.
O Cardeal Ratzinger, hoje Papa Bento XVI dedicou à este tema um capítulo inteiro do seu livro “Espírito da Liturgia - Uma introdução”, publicado em 1999; é o capítulo III da parte II, denominado “O altar e a orientação da oração na Liturgia”.
Neste texto, o Santo Padre incentiva a celebração em “Versus Deum”, exaltando o profundo significado litúrgico que tem o sacerdote e os fiéis voltados para a mesma direção, isto é, para Deus. Ele diz: “. “O sacerdote olhando para o povo dá à comunidade o aspecto de um círculo fechado em si mesmo. Já não é - por sua mesma disposição - uma comunidade aberta para frente e para cima, senão fechada em si mesma. (… ) O importante não é o diálogo olhando para o sacerdote, mas a adoração comum, sair ao encontro do Senhor que vem. A essência do acontecimento não é um círculo fechado, mas a saída de todos ao encontro do Senhor que se expressa na orientação comum.”

Mito 23: “O Sacrário no centro é anti-litúrgico”
Não é.
O Santo Padre Bento XVI (Sacramentum Caritatis, n. 69) afirma que, se o Sacrário é colocado na nave principal da Igreja, “é preferível colocar o sacrário no presbitério, em lugar suficientemente elevado, no centro do fecho absidal ou então noutro ponto onde fique de igual modo bem visível.”
O Sacrário no centro tem, no espírito tradicional da Sagrada Liturgia, o significado de dar a Jesus Eucarístico o destaque no lugar central.

Mito 24: “Não se deve ter imagens dos santos nas igrejas”
Deve-se ter, sim.
Diz a Instrução Geral do Missal Romano (n.318): “De acordo com a antiqüíssima tradição da Igreja, expõem-se à veneração dos fiéis, nos edifícios sagrados, imagens do Senhor, da bem-aventurada Virgem Maria e dos Santos, as quais devem estar dispostas de tal modo no lugar sagrado, que os fiéis sejam levados aos mistérios da fé que aí se celebram.”
O que é ponderado, porém, na mesma referência: “Tenha-se, por isso, o cuidado de não aumentar exageradamente o seu número e que a sua disposição se faça na ordem devida, de tal modo que não distraiam os fiéis da celebração. Normalmente, não haja na mesma igreja mais do que uma imagem do mesmo Santo. Em geral, no ornamento e disposição da igreja, no que se refere às imagens, procure atender-se à piedade de toda a comunidade e à beleza e dignidade das imagens.”

Veja Mitos Litúrgicos Parte 1 http://migre.me/5uNdA
Veja Mitos Litúrgicos Parte 2 http://migre.me/5uNfq

sábado, 13 de agosto de 2011

Teologia do Corpo e Liturgia Parte 2

Autor: Francisco Dockhorn
Colaborador do Viva em Verdade
Publicação Original: Nov. 2010
Transcrição: Bethânia Bittencourt

6.    Entre dois casamentos
O que João Paulo II fala na Teologia do corpo?  Daqui a pouco vocês vão entender qual é a relação que tudo isso tem com a Liturgia da Igreja.
Princípio básico da Teologia do corpo, quem: toda a Bíblia acontece entre dois casamentos. Na primeira página do Gênesis existe um casamento; na última página do Apocalipse existe outro casamento. Qual é o casamento que está na primeira página do Gênesis? O casamento entre o homem e a mulher, na figura de Adão e Eva; esse é o casamento que tá no começo da Bíblia. No final da Bíblia existe outro casamento. Que casamento é esse? É o casamento entre Cristo e a Igreja. Toda a Bíblia acontece entre esses dois casamentos. O casamento entra Adão e Eva no começo e o casamento entre Cristo e a Igreja no final dos tempos. Um casamento é a imagem, o outro casamento é a realidade.
Vamos entender essa diferença entre imagem e realidade. Depois vocês vão ver também qual o sentido que isso faz quando nós falamos da Liturgia. Qual a diferença entre imagem e realidade?
A imagem expressa algo da realidade. Ela não chega a ser tudo aquilo que a realidade é, mas ela expressa algo. Sempre a realidade é mais além do que é a imagem, mais profunda do que é a imagem.
Assim, o casamento na terra, isso o Papa João Paulo II fala, a união carnal entre o homem e a mulher aqui na terra, é apenas uma imagem de uma realidade muito maior, de uma realidade muito mais plena, de uma realidade muito mais perfeita que vai acontecer no final dos tempos entre Cristo e a Igreja no Céu.
Pense um pouquinho em casamento: uma realidade muito presente na nossa faixa etária hoje - cada vez mais tarde, pois na época dos nossos pais casava-se mais cedo, agora se está se casando por volta de 30 anos; daqui a pouco estarão se casando com 40 e poucos anos, porque a coisa está cada vez mais pra frente -;  mas o casamento é uma realidade muito presente na nossa faixa etária.
Estão pensando em casamento? Vocês provavelmente estão pensando coisas boas do casamento, e também problemas do casamento. Porque o casamento também tem problema, casamento também tem dificuldade. Não adianta a pessoa casar pensando que vai ter todos os seus problemas resolvidos, que vai ser o Céu na terra....não! O casamento não é a solução mágica de todos os problemas, pois ele também tem suas dificuldades.
Mas procure imaginar, por um momento, um casamento sem problemas, sem dificuldades, e pense em tudo de bom que um casamento aqui na terra pode oferecer. Pense num casamento “cor-de-rosa”, “Alice-no-País-das-Maravilhas”, só o bom, só as coisas boas.
Deixa eu dizer pra vocês: o melhor casamento na terra é apenas uma imagem em comparação à realidade melhor e à realidade perfeita que a gente vai viver no céu. Isso é Teologia do corpo. Aquilo de melhor, aquilo de mais perfeito, aquilo de mais belo, aquilo de melhor que pode haver em um casamento aqui na terra é apenas uma imagem, é apenas o 0,00001% da maravilha que vai ser o Céu, que vai ser pra nós o Céu, que vai ser a felicidade no Céu e que vai ser a união entre Cristo e a Igreja no Céu.
Estão percebendo que estamos falando aqui de dois casamentos? Um é a imagem, o outro é a realidade.

7. Solidão que aponta para o Céu
Na criação do homem, no primeiro capítulo do Gênesis. Deus criou, a Bíblia nos mostra que Deus foi criando o  céu, foi criando a terra, a luz, as águas. Deus fez os animais selvagens, segundo a sua espécie. Criou o céu, a terra, os animais, os cachorros, os patos, criou tudo.
E como é que termina o versículo 25? Deus criou tudo e viu que era bom. Mas há um belo momento em que esse discurso de Deus ver que “a coisa é boa” muda. No capítulo 2, no versículo 18, há uma coisa que Deus diz que não é bom: “Não é bom que o homem esteja só”.
Vemos então que o discurso de Deus muda: Deus vai criando tudo e dizendo “é bom”: a luz é boa, os animais é são bons, o céu é bom, a terra é boa, o mar é bom, tudo é bom, o ser humano é bom, o ser humano é mais que bom, porque o ser humano é a glória da criação de Deus... Mas chega em um ponto que há uma ruptura: “isso não é bom”. O que que não é bom? Não é bom que o homem esteja só.
O corpo do homem e o corpo da mulher nos falam isso. O nosso corpo nos fala que nós somos incompletos. O corpo do homem não tem sentido sem o corpo da mulher. Estão entendendo o que eu estou falando? Precisa desenhar? O corpo do homem não tem sentido sem o corpo da mulher, e o corpo da mulher também não tem sentido sem o corpo do homem. O corpo da mulher também não tem sentido sem o corpo do homem. E mesmo o corpo de um homem ou de uma mulher, celibatário ou celibatária. O corpo, por exemplo, do Padre Paulo Ricardo, que é celibatário e sacerdote, não tem sentido sem o corpo da uma mulher.
O homem foi feito pra mulher, e a mulher foi feita para o homem.  O nosso corpo, é incompleto. Existe no ser humano, e aí é que está a questão da incompletude: existe uma solidão original. E é muito interessante quando Deus fala isso, no versículo 18: “Não é bom que o homem esteja só; vou dar-lhe uma ajuda que lhe seja adequada”.
Essa solidão origina aparece antes ou depois do pecado original? Isso é antes! Vejam, o pecado ainda não tinha acontecido, mas já havia uma carência no coração do homem antes do pecado original. Então, existe no homem uma solidão originária - e isso João Paulo II fala-, uma solidão originária que mostra que somos incompletos. Não só o nosso corpo mostro isso, mas também a nossa alma, os nossos sentimentos mostram isso.
E aí está a questão da imagem e da realidade: aqui na terra é só imagem; lá no Céu, vai ser a realidade. A união entre o homem e a mulher, que é algo da natureza, e que, de alguma forma, preenche o homem e preenche a mulher...de alguma forma.
Estão entendendo? O ser humano nunca vai se realizar plenamente num casamento, se ele buscar toda a realização dele no casamento.
Por exemplo, a mulher que olha para o marido e fala: “Eu não sou feliz por sua culpa”! Está havendo aí uma espécie de idolatria. Por que? Porque essa felicidade completa que ela busca não é o marido que vai dar, e pobre do marido se a mulher for esperar isso dele! A mulher que espera que seu marido faça da vida dela um Céu, não vai encontrar esse marido nem aqui, nem no Japão! Por que? Porque só Deus pode nos preencher totalmente.
E o mesmo vale para os homens Se o homem pensa: “A minha vida está um lixo, mas quando eu arrumar uma mulher decente, ah, aí, a minha vida vai se transformar, aí a água da minha vida vai virar o vinho...”  Doce ilusão.
Aquele que tenta fazer aqui na terra o Céu, só consegue fazer daqui o inferno, porque o Céu não é aqui, o Céu é lá! Essa atitude cria um inferno no casamento. Por que? Porque um vai começar a brigar com o outro, e dizer: “eu não sou feliz por sua culpa”, “eu me casei pensando que fosse viver o céu aqui na terra e não estou vivendo por sua culpa”.
Meu irmão, você não vai viver o Céu aqui na terra. Por que? Porque aqui na terra é imagem, a realidade vem depois.
Então, o ser humano que tem essa solidão originária, não é no matrimônio que ele vai conseguir isso de maneira completa, de maneira total, de maneira perfeita. Vai ser no Céu.
O ser humano tem essa sede de Deus, essa necessidade de Deus. Chesterton, o acontecimento Chesterton, fala que por trás de todo homem que bate na porta de um bordel, está um homem que procura Deus. Por que? Porque Deus é a sede mais profunda do ser humano.  Essa é a solidão originária, essa é a incompletude do ser humano que o nosso corpo mostra, que os nossos sentimentos mostram. Por trás de todo homem que bate na porta de um bordel, está um homem que procura Deus.
Agora vou lançar uma frase de autoria de Francisco Dockhorn: por trás de toda mulher que não sabe o que quer, está uma mulher que procura Deus.
Porque muitas vezes – vamos combinar! - a mulher não sabe o que quer. Primeiro ela quer um namorado, achando que vai resolver a vida dela. Aí arruma um namorado, mas pensa: “eu quero um namorado de tal jeito”.  Aí o namorado vai lá, começa a fazer tudo o que ela quer, faz academia para começar a agradar a mulher...  Quando ele está bombado, ela pensa: “Não, não...eu não quero só um namorado assim,  eu quero que ele também dirija.” Daí o cara vai lá, tira a carteira, fica bombadão, se casa...e ela pensa: “Não, não, mas eu quero que ele também tenha uma estabilidade melhor pra ele me dar mais segurança.” Daí o cara vai lá, trabalha pra burro, não faz mais nada, não vai nem na Missa mais pra trabalhar pra agradar a mulher, consegue dar tudo o que ela quer, ela vai todo final de semana no shopping comprar roupa nova, tem toda a estabilidade de vida que ela quer, mas pensa: “Não não, eu acho que ele tem que ser mais carinhoso com os filhos.”
Ou seja, o que a mulher quer afinal de contas meu Deus do céu? O que vocês mulheres querem? Deixa eu dizer pra vocês: o que vocês querem é Deus. Por trás de toda mulher que não sabe o que quer, está uma mulher que deseja Deus.
Isso nosso corpo nos mostra: o nosso corpo, que é incompleto, nos mostra que nós temos essa necessidade profunda, este desejo profundo de Deus.

8. Amor de Deus e Amor Humano
O Catecismo da Igreja Católica nos fala essa  verdade de fé, que todos nós já ouvimos, milhares de vezes: o ser humano foi criado a imagem e semelhança de Deus.
Mas como assim? O que significa ser imagem e semelhança de Deus da maneira plena?
Aí João Paulo II fala: não é o homem que foi criado à imagem e semelhança de Deus; é o homem e a mulher que são à imagem e semelhança de Deus. Vamos ser mais claros: é o homem com a mulher que vão ser a imagem e semelhança de Deus.
Por quê? O que Deus é?  Vamos recorrer à Teologia Joanina: Deus é amor.
O que o Amor de Deus é? O Amor de Deus é, primeiro, um amor livre. O amor humano aqui na terra é chamado a ser também um amor livre, tanto que a Igreja nem reconhece canonicamente um casamento onde não há liberdade.  Se eu obrigar você: “Casa com ela, senão eu vou matar a sua família”, esse casamento não vai ser válido.  Por que? Porque não vai estar havendo aí uma liberdade. O amor humano é chamado a ser a imagem do amor de Deus. É chamado a ser imagem do amor livre, porque o amor de Deus é um amor livre.
É chamado a ser também um amor fecundo, porque o amor de Deu é fecundo. O que o Amor de Deus gera? O amor de Deus gera vida. É um amor fecundo. O Amor de Deus é Comunhão.
Olhamos para a Comunhão da Santíssima Trindade. O Pai que ama o Filho, o Filho que ama o Pai, e do Amor do Pai e do Filho, surge o Espírito Santo, que é uma Terceira Pessoa, que é Amor, o Amor entre o Pai e o Filho.
Assim, Deus já era Comunhão, assim como o ser humano é chamado a reproduzir, como imagem, a Comunhão de Deus no seu casamento aqui na terra.
Mas Deus, mesmo já se bastando a si mesmo, resolveu criar o homem. Então, o Amor de Deus é um amor fecundo, é um amor que gera vida, e por isso, o amor humano no casamento, no matrimônio, é chamado a gerar vida.
Alguém me disse hoje que tem 13 irmãos: isso é imagem do amor fecundo de Deus. Não se assustem, não estuo dizendo aqui que ninguém vai ser obrigado a ter 13 filhos, pois claro que que isso vai depender de uma série de coisas... mas isso é imagem do amor fecundo de Deus. O Catecismo da Igreja Católica diz que a Igreja valoriza as famílias numerosas. Isso é Teologia do corpo: Deus olha para o homem e para a mulher, para os seus corpos, e diz: “Crescei e multiplicai-vos.”
Se eu estou tendo um filho, eu não estou multiplicando: eu estou dividindo. Se um casal está tendo dois filhos, eu não estou multiplicando: eu estou  continuando igual. É claro que ninguém vai fazer essa interpretação fundamentalista da coisa e tomar isso tão ao pé da letra assim. Eu só estou tentando fazer nós refletirmos um pouco em relação a isso que a Igreja valoriza: as famílias numerosas.
Isso é Teologia do corpo: o amor humano é chamado a ser esse amor fecundo, esse amor livre, como é o amor de Deus; esse amor fiel, como o amor de Deus; e esse amor total, como o amor de Deus.
Pois o Amor de Deus pela Igreja é um amor total. Ele não entregou uma gotinha do Seu Sangue, Ele não entregou um pedacinho do Seu Corpo...não! Ele se entregou inteiro, Ele se consumiu por amor à Igreja em Corpo, Sangue, Alma e Divindade, e isso é Liturgia, onde Cristo se dá inteiramente a nós, na Hóstia Consagrada.
Então, o amor humano é chamado a ser esse amor total, e por isso, por exemplo, não cabe o adultério, e não cabe a questão da poligamia. Vemos nisso como a Igreja valoriza a mulher: na Antiguidade, a poligamia era uma coisa tomada como algo comum. Imagine: você vai casar, mas você não vai casar com uma mulher; você vai casar com uma, duas, três, quatro, cinco. Como é que você mulher iria se sentir? Que você não é bom o suficiente, que você não tem o valor suficiente para uma entrega total de um homem. E o que o Cristianismo faz? Hoje o que se fala é que a Igreja discrimina a mulher e tal, mas vamos estudar um pouquinho história e vamos comparar como era a vida da mulher antes do Cristianismo e como é que é a vida da mulher depois. Não existe maior valorização em uma sociedade que era machista, na Antiguidade, do que a monogamia. Pois na monogamia, a mulher deixa de ser objeto, ela tem a entrega total de um homem. Isso é Cristianismo, isso é Teologia do corpo; é um um amor livre, fiel, total, como é o amor de Cristo pela Igreja. Por isso São Paulo nos fala: “maridos, amai as vossas mulheres, como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela.”
Quando falamos deste amor fecundo, talvez nós pensemos: “ah, um celibatário não vive esse amor fecundo.” Vamos olhar para o Pe. Paulo Ricardo: alguém tem dúvidas de que o apostolado que o Padre Paulo Ricardo faz é um apostolado fecundo? Alguém tem dúvidas da multidão de filhos e filhas que o Padre Paulo Ricardo tem por esse Brasil? Eu sou um deles, por isso eu sou suspeito pra falar dele. Um padre, um sacerdote, também é chamado a ser fecundo.
Uma irmã, uma religiosa, também é chamada a ser fecunda. E cada vez que durante o seu ciclo biológico no mês, uma celibatária que tiver passando por aqueles dias que todas vocês “adoram”, o que que o corpo dela vai estar dizendo pra ela, para a celibatária? O que o corpo dela vai estar dizendo para ela? Que ela é chamada a ser fecunda, a ser mãe, mesmo sendo celibatária.
Sabe por que? Porque a maior maternidade e a maior paternidade não é a maternidade e a paternidade biológica, mas é a maternidade e a paternidade espiritual. Essa é a maior de todas. Então, todo ser humano é chamado a ser como Deus:  é chamado a amar, é chamado a se gastar por amor, e é chamado a ser fecundo. Nesse amor livre, fiel, total, fecundo que Cristo tem pela Igreja.

9. O Banquete Nupcial do Cordeiro
Nós falamos até da aqui da imagem ou da realidae? Da realidade. Agora, vamo falar da realidade mais perfeita, que é a realidade.
No final da Bíblia, nas últimas páginas da Bíblia, nós vamos ver essa luz que o Papa João Paulo II nos dá sobre o corpo, no Capítulo 21 do Apocalipse, versículo 2.
Quem é essa cidade santa? Quem é esta Nova Jerusalém, Preparada como uma esposa ornada para o Esposo? É a Igreja. Estão vendo a realidade? O casamento entre o homem e a mulher na terra é a imagem.  Isso é a realidade. A realidade mais perfeita, a realidade mais gloriosa, é o casamento entre Cristo e a Igreja. 
Vamos a Apocalipse 19, 7. Quem é o Cordeiro?  Quem é Aquele que se deu em Sacrifício? Que nos salvou o com Seu Sangue? Cristo.
Então, é o Cristo que se entrega para a Igreja, e a Igreja que se prepara, como Esposa, para se unir o com Cristo-Esposo.
Está em Apocalipse 19, 7: “Aproximam-se as núpcias do cordeiro. Sua esposa, a Igreja, está preparada”. E bem no final da Bíblia, em Ap 22, 17, fala da Igreja, essa noiva que espera ansiosamente pelo Esposo, e diz “Vem”. E o que o Cristo Esposo responde pra ela, no versículo 20? “Sim, eis que venho depressa”.
A Igreja esposa diz: “Vem”. O Cristo esposo diz: “Sim, eis que venho depressa.”  Estão vendo o diálogo a Igreja e Cristo?  Esse é o diálogo entre a Igreja Esposa e o Cristo Esposo. Estas são as Núpcias do Cordeiro, nesse grande casamento que vai acontecer no final dos tempos entre Cristo e a Igreja.
Que isso tem a ver com a Liturgia? Nós não íamos falar de Bento XVI e de Liturgia neste encontro? O que João Paulo II e a Teologia do Corpo tem a ver com Liturgia?
Vamos um pouquinho mais fundo ainda no raciocínio: será que a Liturgia é só preparação? Ou será que a Liturgia é uma antecipação verdadeira do casamento?
O Missal permite várias formas diferentes, quando o sacerdote fala durante a apresentação do Corpo de Deus na Missa. Uma das expressões possíveis segundo o Missal antes da comunhão, ele apresenta o Corpo de Deus e diz: “Felizes os convidados para o banquete nupcial do Cordeiro.” O que é o Banquete Nupcial do Cordeiro? É a Eucaristia.  A Eucaristia é o Banquete Nupcial do Cordeiro, porque a Eucaristia antecipa o Casamento entre Cristo e a Igreja que vai acontecer no Céu.
Ao mesmo tempo, a Eucaristia renova o sacrifício da Cruz. Qual é o leito nupcial do Cordeiro? Onde é que se dá a entrega do Corpo Dele pra Sua Esposa? É na Cruz! A Cruz é o leito nupcial do Cordeiro. É na Cruz que o Cristo esposo ama a Sua esposa, e é na Cruz que o Cristo esposo se entrega a Sua esposa. Então, a Eucaristia renova o Sacrifício, a entrega de Jesus na Cruz, e antecipa o Casamento, o Banquete Nupcial do Cordeiro que vai acontecer no Céu.
Vamos lembrar da questão da imagem e da realidade.  O que acontece no casamento (pelo menos, é para acontecer dentro do casamento...)? A união carnal entre o homem e a mulher. E esta que união que acontece, é só espiritual? Não, é uma união carnal, é uma união física. Deixa eu ser bem concreto aqui: se nós olharmos uma imagem de uma relação sexual, é como se fosse um só corpo. Imagine, por um segundo; não mais do que isso pra não pecar: olhando uma relação sexual, é um só corpo visualmente, fisicamente.
E como é a entrega de Cristo pra Igreja na Eucaristia? Será que a Eucaristia é só um símbolo? Será que a Eucaristia é só algo espiritual? A Eucaristia é a presença real em Corpo, Sangue, Alma e Divindade. Tão real como você está sentindo o teu corpo, tocando no teu corpo agora.
Então, da mesma forma que a imagem da relação sexual entre o homem e a mulher, se torna um só corpo porque é uma união corporal, a união eucarística, já antecipando aqui na terra o Banquete do Cordeiro no Sacrifício da Missa é uma união carnal, é uma união corpórea.
Por quê? Porque é o Corpo de Cristo, que na Missa, se une com o corpo de Sua Esposa, que é a Igreja.
Estão vendo que forma maravilhosa de falar da Missa, da Eucaristia? Estão vendo como que a Teologia do Corpo veio como uma bomba no nosso tempo, para poder mostrar que aquilo que a Igreja crê é muito mais do que simples sentenças doutrinais?
É claro que nós cremos na Doutrina, é claro que a Doutrina da Igreja expressa uma Verdade que não muda, e por isso que a Doutrina da Igreja não muda. Mas como o Papa Bento XVI falou, no início do Cristianismo existe um acontecimento, uma pessoa, é uma realidade espiritual, uma realidade maravilhosa que vai muito além de um papel: é a realidade dessa união esponsal, desse Banquete Nupcial entre Cristo e a Igreja, que vai acontecer no Céu, mas que é antecipado aqui na terra pela Liturgia.

10. Nosso lugar é o Céu
Geralmente quando nós falamos nessa realidade de afetividade, de casamento, há algo que mexe um pouco com todos nós. Mesmo com quem é celibatário. Porque o celibatário é chamado a viver um casamento real também. E mesmo no coração do celibatário há aquela falta de fé que bate: “Eu podia ter casado e não casei.” O celibatário optou por um bem maior, mas sempre há aquela coisa no fundo do coração dele: “Eu podia ter seguido outro caminho, mas segui esse”. Então, falar de casamento, falar de afetividade é algo que mexe com todos, e que com certeza é algo que mexe conosco.
Talvez seja uma surpresa estarmos falando disso. Não sei se a idéia inicial seria que nós estivéssemos falando das rubricas da Instrução Geral do Missal Romano. Talvez surpreenda um pouco começar um retiro sobre Liturgia falando de Matrimônio. Talvez nós fiquemos pensando: por que começar assim? 
O que mexe com cada um de nós falar nisso?  Eu convido que você possa olhar para esse grande matrimônio místico entre Cristo e a Igreja, e olhar para imagem desse matrimônio que é o casamento na terra.
Pensa no que mexeu com você quando falamos disso. Deixa eu ser mais ousado:  pensa no que Deus quis te sacudir falando sobre isso nesta manhã. Onde é que Deus quis chegar? O que Deus quis mexer? O que Deus quis tirar do lugar?
Esse aqui é um retiro de formação, mas não vai ser um retiro racionalista. A Igreja vive este equilíbrio perfeito entre a fé e a razão. Nem o fideísmo, nem o racionalismo. Por isso, este que aqui é um retiro de formação, também de formação intelectual, mas é um retiro também de oração, onde nós queremos nos encontrar com Deus.
Pense neste grande Banquete Nupcial entre Cristo e a Igreja, esse grande banquete nupcial que um dia vai acontecer de maneira plena no Céu. Eu não sei o quanto você tem pensado nas promessas de Deus, naquilo que nos espera no céu. Na nossa vida aqui na terra, alguns vivem pouco tempo, outros vivem mais tempo, outros vivem cem anos, outros cinquenta anos, outros morrem jovens, outros morrem ainda na barriga de sua mãe. Pense na nossa vida aqui na terra como se fosse um segundo, onde nós temos uma opção: ser de Deus, ou não ser de Deus; adorar Deus, ou não adorar Deus. A nossa vida verdadeira, a nossa vida eterna, a nossa vida plena vai ser no céu. Pensa um pouquinho no céu agora. E procura viver essa expectativa da Igreja que deseja o céu, da Igreja que espera o Céu, da Igreja que deseja a vinda do Seu Esposo. E coloca agora toda essa expectativa no seu coração, tudo o que te espera no céu, no Banquete Nupcial do Cordeiro, e adora.

Áudio da formação na íntegra: